Apreciar a vida selvagem no Parque Nacional Kruger é simplesmente fantástico! Um mergulho genuíno no continente onde nasceu a humanidade.

Uma área que surgiu como fazenda aberta a atividades de caça esportiva. Mas que atualmente abriga populações enormes de leões, elefantes, rinocerontes e búfalos. Todos vagando livremente por savanas de uma beleza sem igual.

Onde fica (Localização)

O Parque Nacional Kruger é uma área de cerca de 19 mil km2 que fica ao nordeste da África do Sul, bem na fronteira com Moçambique. Essa imensa reserva ocupa parte de duas províncias sul-africanas: Mpumalanga e Limpopo. – Site oficial

Como chegar?

A forma mais comum de se chegar ao Kruger é por carro. Para quem estiver de passagem no país, um carro alugado servirá tanto para chegar e sair do parque, quanto para fazer passeios dentro dele.

O parque tem oito portões espalhados pelas regiões norte, central e sul. Os portões da parte sul são os mais acessados por quem alcança o parque a partir de Joanesburgo (em inglês Johannesburg), a maior cidade da África do Sul.

Em cada portão o visitante encontra um centro de recepção, sendo atendido por funcionários do órgão do governo federal Parques Nacionais Sul-africanos (South African National Parks – SANParks).

A viagem de carro entre Joanesburgo e um dos portões do sul tem duração de aproximadamente sete horas. Todos os automóveis sul-africanos têm o sistema chamado mão inglesa, ou seja, o volante fica no lado direito do carro.

Além disso, quem está vindo em direção contrária à sua, passa à sua direita.

Para nós, brasileiros, no início é um pouco estranho dirigir sob essa modalidade. Então, atenção e prudência!

Mas, enfim, são pouco mais de 420 km de distância entre o centro da capital e um dos portões do sul do parque. As estradas que levam ao parque estão muito bem conservadas. Os pontos de parada são ótimos.

É possível também ir de avião de Joanesburgo para Nelspruit, descendo no Kruger Mpumalanga International Airport. Essa cidade é bonita, vibrante, sendo completamente possível locar um carro em alguma agência.

É bom se organizar para fazer esse trajeto final (50 minutos) chegando no parque antes do fechamento dos portões. Eles são fechados em horários que variam entre 17:30h e 18:30h, de acordo com o mês do ano.

Os portões Phabeni e Paul Kruger (região sul) dão acesso ao acampamento Skukuza, que é uma espécie de “capital” do parque.

É necessário visto?

Sim, para entrar na África do Sul, você precisa de passaporte atualizado e com no mínimo duas páginas em branco. Também precisa de visto, sendo que você precisa requerê-lo pessoalmente, já que você será cadastrado por biometria.

É necessário tomar vacina?

Sim, é preciso obter o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP). Esse certificado é obtido depois que o interessado agenda e comparece a uma consulta médica em um setor de saúde habilitado para a emissão desse documento.

Atualmente a exigência de estar vacinado contra febre amarela é cobrada somente de pessoas que tenham visitado anteriormente um país onde há ocorrência de febre amarela.

Como o Brasil é um desses países, o melhor a fazer é se vacinar. Tome essa vacina na mesma oportunidade em que for se consultar com o médico.

Caso o visitante tenha algum problema de saúde que o impeça de receber a vacina contra febre amarela, ele deve obter um atestado em inglês assinado por um médico.

E, claro, não pode esquecer de levar esse atestado na viagem. Mais informações na ANVISA.

Melhor tipo de roupa para usar no passeio?

A impressão que a maioria dos brasileiros tem é a de que a África é toda quente. O Parque Nacional Kruger fica no extremo sul do continente.

Tem um clima subtropical e a temperatura durante o dia fica em torno de 25ºC. No entanto, essa região recebe correntes oceânicas frias vindas do polo sul.

Então, mesmo no verão, leve sempre com você um agasalho, ainda que seja leve. Use roupas confortáveis, já que a maior parte do tempo você ficará sentado em veículos.

Se sua viagem for entre os meses de abril e setembro, leve agasalhos mais pesados. Se optar por passeio a pé, durante o qual você é monitorado por guias armados, não esqueça de usar calçado fechado e flexível.

Preço estimado da viagem?

A moeda da África do Sul se chama Rand. Um rand corresponde a aproximadamente 3,90 reais. Se você não conseguir trocar reais por rands antes de sair do Brasil, troque-os no aeroporto de Joanesburgo.

Para aproveitar melhor o parque, você deve ficar hospedado dentro dele. O mais importante: faça a reserva do alojamento com muita antecedência, pois esse parque é bastante procurado.

Os valores de diária nos alojamentos variam demais. Portanto, cada um faz a opção do quanto quer gastar, já que as alternativas são muitas.

A recomendação é ficar em bangalôs econômicos: eles têm cozinha pequena com pia, fogão e frigobar. Isso permite que o visitante prepare todas as refeições ou alterne entre as suas refeições e as refeições pagas em locais dentro do parque.

Os bangalôs são confortáveis, bem ventilados e seguros.

O valor total estimado (R$ 6.647,00) para o custo da viagem considera os itens:

  • Passagens aéreas São Paulo/Joanesburgo/São Paulo na classe econômica pela South African Airlines: R$ 3.300,00
  • Locação de carro econômico (até quatro ocupantes) em Joanesburgo por seis dias: R$ 1.137,00
  • Hospedagem para uma pessoa em bangalô econômico (cinco pernoites): R$ 650,00
  • Entrada individual no parque (uma visita): R$ 60,00
  • Alimentação e combustível durante a estadia no parque: R$ 1.500,00

Existem taxas ou algum pagamento para visitar o parque?

Sim, as tarifas cobradas por dia de visita se destinam à conservação da vida selvagem. São chamadas de Conservation Fees. Se você vai pernoitar no parque, pagará somente uma tarifa pela estadia completa.

Atualmente o valor para visitante adulto e estrangeiro é mais ou menos R$ 60,00.

Quanto tempo ficar?

Quanto mais tempo ficar, mais chance você terá de conseguir visualizar leões. Já leopardo é bem mais difícil de ver, pois é um bicho solitário e arredio.

Ainda assim, existe boa chance de escutar leopardo emitindo chamados. Existem turistas que dão muita sorte e conseguem avistar leões e leoas logo que entram, mas é tudo uma questão de sorte.

Nos acampamentos existem mapas fixados em murais que são constantemente atualizados. Eles mostram pontos ao redor do acampamento nos quais leões, chitas, rinocerontes e elefantes foram vistos a até meia hora atrás.

Então, você pode se dirigir até o ponto e torcer para que algum deles ainda esteja por lá.

Se puder disponibilizar ao menos cinco dias, o melhor é reservar acomodação para mais de um acampamento.

Ficando ao menos duas noites em acampamentos diferentes, você aumenta a chance de observar paisagens diferentes e também de fotografar animais que são mais típicos de um local do que de outro.

Divisão do Parque

O Parque Nacional Kruger tem 13 acampamentos (Rest Camps) espalhados no seu território. Todos os acampamentos são áreas enormes separadas das áreas nativas por cercas eletrificadas.

Portanto, os animais que entram nos acampamentos são apenas aves e mamíferos de menor porte como mangustos, gálagos (primatas noturnos e arborícolas) e morcegos.

Próximo dos portões existem áreas de recepção para visitantes com banheiros e wifi livre de cobrança. Os funcionários do parque usam uniforme e estão sempre prontos a esclarecer qualquer dúvida. Um mapa completo do parque está à venda nos centros de visitantes.

No acampamento Skukuza, por exemplo, existem diferentes tipos de alojamentos, desde os mais requintados até os mais econômicos. O visitante também encontra:

  • restaurante sofisticado
  • Barra
  • cafeteria e lanchonete
  • farmácia
  • locadora de veículos
  • posto de abastecimento e lava-jato
  • piscina para turistas que pernoitam no parque
  • loja bem ampla de souvenires.

Fora dos acampamentos, dos quais os visitantes somente saem com carros próprios ou com carros do parque, existem estradas. Várias estradas de terra ou de cascalho, sinalizadas e em ótimo estado de conservação cortam a reserva.

Para ir de um acampamento a outro, talvez será preciso sair do parque por um portão e entrar por outro portão. Se você já tiver pago a tarifa de visita daquele período (pernoite no parque) ou dia (sem pernoite), você não será cobrado novamente no portão em que retornar para o parque.

Onde ficar (Hospedagem)

Muitas opções: desde hotel luxuoso até pernoite em barracas instaladas pela equipe do parque. Sua escolha deve começar pelo acampamento em que você vai ficar.

Não são todos os acampamentos que oferecem todas as alternativas de hospedagem. Dois acampamentos principais ao sul:

Skukuza

O acampamento com mais tipos de alojamento e maior número de serviços. O parque oferece aqui locais para acampamento em barraca, estacionamento para trailer.

Também dispõe de dormitórios (masculino e feminino), bangalôs simples, bangalôs luxuosos, casas para famílias (até quatro hóspedes) e para grupos grandes.

Berg e Dal

Esse acampamento é menos frequentado do que o anterior. Então, o visitante não encontra dezenas de pessoas circulando o tempo todo.

Mangusto, um dos animais avistados no acampamento Berg en Dal em Kruger
Mangusto, um dos animais avistados no acampamento Berg en Dal em Kruger – Imagem: Milene

O hóspede escolhe entre barracas de lona confortáveis e seguras, bangalôs (duas ou três pessoas, com quarto e banheiro) e chalés para famílias (até quatro pessoas, com banheiro, cozinha equipada e sala de TV).

Melhor época para visitar

Em qualquer época do ano que você visitar essa área, vai observar animais. Nos meses da estação seca (abril – outubro), você corre menos risco de temporais provocarem desconforto e resfriados.

Além disso, a vegetação está menos exuberante. Isso deixa os animais mais expostos, ficando mais fácil de serem notados. Enfim, haverá menos interferência no espaço entre eles e a câmera fotográfica.

Como aproveitar o Parque Nacional Kruger?

Passeio no Parque nacional Kruger - Observando Elefantes
Passeio no Parque nacional Kruger – Observando Elefantes

Passeios guiados em carros coletivos são oferecidos para os visitantes, mas o melhor mesmo é transitar por conta própria.

Antes de sair do Brasil, invista tempo e dinheiro em uma carteira de habilitação internacional e alugue um carro, de preferência fora do parque. Para conseguir essa carteira, procure uma agência do Detran.

Prepare-se para levantar cedo. Animais diurnos preferem transitar nas primeiras horas do dia, quando o calor não está intenso.

Existem vários açudes dentro do parque. Eles foram construídos décadas atrás justamente para atrair a fauna do entorno da área onde seria criado o parque.

Aos poucos, o parque foi sendo cercado e os animais grandes não puderam mais se deslocar para além do parque. Esses açudes são excelentes pontos de observação, especialmente durante a estação seca, que é quando os bichos mais procuram por fontes de água.

Se possível, separe um tempo para fazer ao menos um safari a pé. É uma oportunidade exclusiva de sentir as gramíneas da savana sob os pés, ver de perto as pelotas de cocô de elefante construídas por besouros e aprender com os guias sobre a vegetação e a cultura local.

O que não é permitido?

Algumas regras que todo visitante precisa ficar atento, já que o parque proíbe:

  • Entrar com animais de estimação, seja para passar o dia ou pernoitar;
  • Ultrapassar a velocidade máxima permitida nas estradas internas do parque;
  • Sair dos carros (sejam particulares ou dos parques), exceto durante o safari a pé;
  • Aproximar o próprio carro de animais que estejam cruzando as estradas;

Melhores dicas para aproveitar a viagem ao Parque Nacional Kruger

Para sua viagem ser incrivelmente prazerosa, planeje-a com meses de antecedência. Selecione um roteiro (quais portões e quais acampamentos serão usados para hospedagem) e liste os atrativos que o site do parque indica.

Reserve sua hospedagem pelo próprio site do parque. Procure a opção que cabe no seu orçamento, determine o período e aguarde pela resposta.

Chegue no parque com algum suprimento de água, alimento e medicamentos básicos. Embora você consiga comprar por lá, é claro que os preços serão mais altos do que, por exemplo, nos estabelecimentos de Joanesburgo e Nelspruit.

Invista em um passeio oferecido pelo parque ao pôr-do-sol (Sunset Drive) e um à noite (Night Drive). As saídas durante o crepúsculo e à noite aumentam a chance de encontrar com animais que não foram vistos ainda.

Chegue no local marcado pelos organizadores com minutos de antecedência e curta bastante as informações oferecidas pelos guias.

Acima de tudo, esse parque é um local destinado à conservação da natureza. Então, transite em velocidade baixa e ao parar o carro, desligue o motor e fale em voz baixa. Nunca atire objetos para fora do carro.

Cuidados na viagem para o Parque Nacional Kruger

  • Leve adaptador para carregador de celular e câmera. As tomadas na África do Sul são muito diferentes das tomadas brasileiras;
  • Use repelente contra mosquitos, espalhando-o na pele antes de passar o protetor solar;
  • Beba água durante os passeios nos veículos do parque. Os carros são abertos e a brisa sobre a pele contribui para você se desidratar mais rápido;
  • Quando fotografar, não exponha braços e pescoço para fora da janela dos carros;
  • Sempre que tiver dúvida sobre algum procedimento, valor e horário de passeio, pergunte aos funcionários do parque que ficam na recepção.

Artigo escrito por Milene, Bióloga. Visitou o Kruger Park na África do Sul